A evasão escolar deixou de ser um problema apenas do Ensino Fundamental ou Médio. Números do Censo do Ensino Superior divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) em dezembro do ano passado mostram que de 2008 para 2009, um total de 896.455 estudantes abandonaram a universidade no Brasil, o que representa uma média de 20,9% do universo de alunos que cursavam o Ensino Superior no País. De acordo com os números apresentados, nas instituições públicas, 114.173 estudantes (10,5%) largaram os cursos. Nas particulares, um total de 782.282 alunos (24,5% dos estudantes) se evadiram. Para Oscar Hipólito, pesquisador do Instituto Lobo para o Desenvolvimento da Educação, da Ciência e da Tecnologia, estas perdas financeiras decorrentes da evasão no Ensino Superior em 2009 chegariam a cerca de R$ 9 bilhões. Isto porque para receber o aluno, as universidades têm de manter toda uma infraestrutura, com prédios equipados, material de ensino, bibliotecas, além de pagar professores e funcionários. Na universidade pública, de acordo com Hipólito, o valor é gasto mesmo se o estudante não está lá. Já no caso da instituição particular, as mensalidades de quem abandonou o curso deixam de ser pagas com as consequências daí decorrentes.
A ideia de extinguir a possibilidade da repetência nas três primeiras séries do Ensino Fundamental é vista como uma ação muito séria para Carlos Alberto Chiarelli, ex-Ministro da Educação e atual Presidente da Associação da Cadeia Produtiva de Educação a Distância (ACED). Segundo Chiarelli há uma lógica ameaça e/ou um claro perigo nesta inovação surpreendente, apesar de certas manifestações acadêmicas que aduzem argumentos, sem comprovação prática, defenderem a valia da iniciativa. “O risco inicial está na tendência natural, pela irrevogável Lei da Inércia, de que o ritmo de ensino e aprendizado de uma turma acabe ficando lento. Obviamente será calibrado pela velocidade do interesse no aprendizado dos menos dotados e/ou dos mais desinteressados, sobre os quais não recairá a cobrança da avaliação”, diz. Chiarelli destaca que esta é uma estratégia não recomendável e perniciosa, uma vez que a inexistência de apreciação do mérito de cada aluno tira da criança, na tenra idade, o fundamento inicial da responsabilidade, da existência e de deveres, além dos direitos, criando um dever no qual não se identifica uma razão estimulante para o aperfeiçoamento. “Isto desvalorizará o saber. Nesse momento em que professores sofrem com o desestímulo salarial, com a preparação, em regra, deficiente para a sala de aula e em que a família – em muitos casos- mostra-se desarticulada ou incapaz de dar a retaguarda de que carece a meninada, a escola se transforma – diante de tantas tristes e lamentáveis notícias – em arena de confrontos”, comenta.
Cinquenta e seis bilhões de reais: esse seria o valor perdido com a má gestão do dinheiro público investido na educação no Brasil. O número faz parte de um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que apontou que se nosso país investisse nesta área com a mesma eficiência de outros sete países da América Latina, a média de escolaridade nacional subiria 2,4 anos e o Produto Interno Bruto (PIB) per capita aumentaria 10,5% em dez anos. Segundo pesquisa, em dez anos, entre 1999 e 2008, o governo brasileiro gastou 978 dólares anuais por estudante. Já Uruguai, Bolívia, El Salvador, Peru, Paraguai, Nicarágua e Equador gastaram, em média, 7,4% a mais: cerca de 1.050 dólares por aluno. Ainda tendo como base esse estudo, continuamos com tristes constatações. A taxa média de analfabetismo nacional foi de 11,3% e a dos países da América Latina, de 8%. A repetência no antigo primário, no Brasil, atingiu 21,4% dos alunos, bem acima dos índices dos outros países latino-americanos, que tiveram 5,8% de repetência
Talvez pouca gente saiba que no Brasil há mais de 2,6 milhões de alunos de cursos de Educação a Distância (EAD). Destes, 1,1 milhão faz cursos seriados (Administração e Pedagogia são os preferidos) e 1,2 milhão faz cursos livres (idiomas, treinamento, especialização etc.), além de quase 500 mil que são alunos de cursos de qualidade oferecidos pelas empresas nas quais são empregados. Interessante é que em 2000, considerando todos os alunos de EAD, o número mal passava de 5 mil estudantes. Em dez anos, o crescimento foi de mais de 500 vezes, superando, de longe, qualquer outro índice ou parâmetro educacional. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), ao aferir-se pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), tendo em vista as áreas básicas e mais numerosas de avaliação de concluintes (Administração, Matemática, Pedagogia e Serviço Social) a nota média obtida pelos estudantes originários da EAD foi 12% superior a dos que se prepararam em cursos presenciais.